A GEOGRAFIA NA ESCOLA
Até o século XIX, as escolas, além de passarem um saber extremamente eletista, estavam praticamente atreladas às instituições religiosas. O ideal iluminista, acentado na crença do poder da razão humana, é que passa a defender a ampliação da formação cultural para todos como forma capaz de transformar o homem e por meio dele a sociedade. É através deste ideal que todos os homens são considerados iguais porque todos são racionais. A escola pública passa a ser defendida como um meio capaz de difundir os conhecimentos necessários à formação do todos os cidadãos- “direito de todos e dever do Estado”.
A publicização da educação é, pois, uma das formas encontradas pela burguesia enquanto classe em ascensão para conquistar a hegemonia, combatendo os privilégios do clero e dos senhores feudais. Diferentemente da nobreza, que se legitimara por suas raízes pretensamente biológicas criadas por Deus, a burguesia deseja implantar uma nova forma de legitimidade reforçada pelo mérito escolar. “Escolarizar todos os homens era condição de converter servos em cidadãos, era condição de que esses cidadãos participassem do processo político, e, participando do processo político, eles consolidariam a ordem democrática, democracia burguesa, é obvio”...
A transformação de súditos em cidadãos, fundamental para a ruptura do modo de produção feudal e a implantação do modo de produção capitalista, só pôde ser alcançada através da educação. A escola surge, então como um instrumento capaz de transmitir os conhecimentos acumulados pela humanidade, retirando os homens do estado de ignorância em que se encontram e, ao mesmo tempo, inserindo-os na concepção burguesa que emerge na sociedade. A expansão do ensino nesse contexto, foi para assegurar a hegemonia burguesa reproduzindo as ralações de classe existentes e garantindo, ao mesmo tempo, a expansão do capitalismo.
A geografia é incluída nos currículos por razões geopolíticas enquanto não só marca a naturalidade do homem no espaço, mas também sustenta que o homem só é humano porque incluído num espaço politizado, nacional. Ao ser instituída na segunda metade do século XIX, exerce um papel político-social, delimitando o Estado nacional pelo seu território, ou seja, pelo seu quadro natural, a geografia inverte o real , pois substitui a sociedade (sujeito) pela natureza (objeto).
Nos primeiros anos de ensino de geografia, não se tinha a idéia de que era preciso compreender a relação entre a natureza e o homem, e, muito menos, dos homens entre si, mas simplesmente memorizar um saber sobre a natureza física. Para ensinar uma geografia que não isole sociedade e naturezaa, que não fragmente o saber sobre o espaço reduzindo sua dimensão sua dimensão de totalidade, o professor de geografia precisa conhecer a origem deste conteúdo.
A institucionalização da geografia nos centros de ensino superior se faz basicamente em função da necessidade de formar professores para o ensino primário e secundário, e do ambiente político favorável a ela por parte do poder.
Bibliografia:
FONTES, R. M. do A. Da geografia que ensina à ciência da geografia moderna. Florianópolis: UFSC, 1989.
TRANSFORMAÇÕES DA GEOGRAFIA NO BRASIL: PESQUISA, ENSINO E TRANSFORMAÇÃO DO PROFESSOR
A criação do Departamento de Geografia na USP em 1946 foi fundamental para o desenvolvimento da ciência geográfica no Brasil. A profunda influência européia é bastante visível do ponto de vista teórico, principalmente da França, já que seus primeiros mestres vieram de lá.
Antes da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciência – USP, não existiam profissionais em Geografia. Quem lecionava a disciplina nas escolas eram principalmente os acadêmicos de Direito, engenharia, médicos e seminaristas.
A disciplina Geografia surgiu na FFLC- USP como auxiliar da história. Desenvolveu-se, no entanto, com o crescimento da produção científica baseada em trabalhos de campo, realizado junto com os alunos. Em 1942 existiam 3 cátedras no curso: Geografia Humana, Geografia Física e Geografia do Brasil. Somente em 1957, com a multiplicação dos trabalhos de natureza geográfica, o então curso de História e Geografia da USP, passou a ser subdividido em 2, podendo os alunos ingressantes optar entre um e outro.No Brasil, a formação de uma Geografia com caráter científico se deu a partir de 1930, ao serem criadas as Faculdades de Filosofia- USP, o Conselho Nacional de Geografia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- IBGE e a Associação Brasileira de Geógrafos- AGB (1934).
Nas décadas de 40 e 50, o Departamento de Geografia dava importância aos estudos regionais. O IBGE, teve papel fundamental na produção de artigos sobre pesquisas de caráter geográfico.
No Brasil, a geografia não sofreu influência apenas da Geografia Francesa, mas também foi influenciada por outros pensadores como Alexander von Humboldt, Friedrich Ratze, Karl Ritter, que eram Alemães, e também de Vidal de La Blache, que era Francês.
Bibliografia:
PONTUSCHKA, N. N. A formação pedagógica do professor de geografia e as práticas interdisciplinares. São Paulo, 1994. Tese doutorado em Educação- Faculdade de educação da USP
COMO ESCOLHER E ORGANIZAR AS ATIVIDADES DE ENSINO.
O texto nos mostra como o professor deve organizar suas atividades e materiais para que os alunos possam ter um melhor aproveitamento e entendimento da aula; as dinâmicas para envolver os alunos entre si e com o professor também, para assim fazer com que os alunos se envolvem com o assunto que está sendo tratado.Para esse texto, o melhor a fazer seria um debate dirigido pelo professor para expor as idéias de cada um. Não caberia apenas uma leitura individual.
Bibliografia:
BORDENAVE, J. D; PEREIRA, A. M. Estratégias de ensino-aprendizagem. Petrópolis: Vozes, 1994.